A lição vem de onde menos se espera

Dia desses terminei de assistir um desenho — um anime especificamente, mas isso é o que menos importa, — em teoria sou adulta e não deveria me interessar por este tipo de entretenimento, alguns diriam. Mas não ligo. Sempre fui muito sensível para perceber beleza onde ninguém mais via. E, isso não é falta de humildade nem coisa do tipo. Simplesmente é uma característica e graças a ela fui capaz de conhecer uma das histórias mais incríveis já contadas.

O enredo envolvente me surpreendeu TANTO que estou escrevendo este post. Eu ri e chorei, até me questionei (muitas vezes), às vezes tudo no mesmo capítulo. O desenho era foda. E o autor é incrível. Parabéns, Masashi Kishimoto! Estou falando de Naruto.



A série Naruto durou 15 f****** anos, mas eu só fui conhecer agora, em 2016. Antes tarde do que nunca! Para quem acompanhou a série desde o início deve ter sido muito emocionante ver o desfecho em 2014. Imagino. Mesmo!

Mas resumindo a história: Naruto é um menino órfão que tenta se superar a todo instante para provar a todos que ele é uma boa pessoa e um bom ninja, e que um dia será Hokage da vila onde mora. Isso tudo porque ele tem um demônio vivendo dentro dele, por isso, geral pensa que ele é ruim, mas ele obviamente não é. Isso traz muita dor e solidão para o menino, mas apesar disso, ele é resiliente e não se deixa abater por NADA.

A convicção, a força de vontade, a lealdade e o lema de nunca desistir (ou voltar com sua palavra) ficou gravado na minha cabeça. Fiquei me perguntando quantas dessas qualidades eu possuía. E se as pessoas ao meu redor também a tinham. Fica aqui a reflexão para vocês.

Teve VÁRIAS cenas incríveis durante todo o enredo e eu poderia fazer um post gigante sobre a obra que é Naruto, mas vou me conter e escrever só sobre uma cena que foi uma das coisas mais fantásticas que vi:


Naruto estava treinando para controlar o demônio que vive dentro dele quando descobre que a única maneira de fazê-lo é enfrentando seu ódio, aquele reprimido, escondido, porém tão gigante e feio que ele tem vergonha de assumir pra si mesmo. Somente enfrentando seu verdadeiro eu é que será capaz de atingir a paz interior e controlar o demônio.

Bem simbólico, né? Então Naruto medita em frente à cachoeira da verdade para se encontrar com ele mesmo e o encontra ensandecido, louco por vingança contra aqueles da vila que o fizeram sofrer.




Enraivecido por ter perdido os pais ao nascer e por sempre ter sido sozinho, o eu verdadeiro dele quer na verdade matar todo mundo e destruir tudo para fazer a dor ir embora. Em resposta, Naruto luta contra ele, é agressivo e violento, tenta oprimi-lo, mas então percebe (e aceita) a existência daquela parte dele. Entende que aquele era ele em uma determinada época de sua vida onde ele precisava ser feroz para sobreviver, mas que agora, ele estava bem. Tinha amigos, tinha amor. E com ternura o aceitou tal como era, agradeceu pelo tempo que ele ficou ali, mas que agora ele não precisava mais existir. Naruto abraçou a si mesmo (metaforicamente e literalmente, afinal é um desenho e ele tava numa cachoeira da verdade. Risos.) Abraçou o Naruto raivoso e ele se desfez nos próprios braços.



Foi lindo. Épico. Profundo.

Fiquei imaginando quanta mágoa, rancor e ressentimento guardamos. Fiquei imaginando o que eu diria para acalentar a Bianca raivosa que há dentro de mim. O que eu preciso que não sei?

O que você precisa e não sabe? Qual parte sua está faltando? Qual lado seu precisa de um abraço? Chore se for preciso. Grite. Converse sozinho. Mas você precisa fazer as pazes com você mesmo. Hoje. Agora se possível.

E veja só que incrível: tudo isso veio a partir de um desenho para criança.

Queria eu ter assistido isso na infância, mas calhou de assistir agora e sou muito grata à mensagem que ele me passou. Espero ter passado ela adiante e também que você possa ser uma pessoa melhor depois disso. Eu, certamente, estou tentando ser.


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