Sobre natureza e os nossos ciclos

Artista desconhecida. Quem souber, me fala nos comentários para que eu possa creditar.

*Esse post é mais para as mulheres, mas homens, sintam-se livres para ler e aprender também.
Todo mundo ganha. :)

Posso dizer, sem exagero algum da minha parte, que sempre fui fascinada pela Lua e os seus ciclos. Apreciava - e ainda aprecio - suas várias faces: Negra/Nova, Crescente, Cheia e Minguante. Quando criança, ficava brincando de que era uma guerreira da Lua, por causa da Sailor Moon. (Haha!) Um pouco mais velha, passei a imaginar se outras pessoas no mundo também a admiravam como eu; Se ela era mesmo mágica como os poetas diziam. Somente mais tarde, vim a descobrir que a Lua tem influência nas marés (os movimentos de subida e descida do nível do mar).

Também é verdade que sempre gostei de observar o nascer e o pôr-do-sol (embora, a aurora seja mais difícil para mim devido o horário... hehe! Mas já tive o prazer de presenciar algumas). A essas horas, tanto aurora quanto crepúsculo, se dá o nome de "A hora mágica".

Dá uma paz contagiante observar as matizes que o céu ganha a medida que o grande astro se despede para visitar o outro lado do mundo. Os pássaros chamando uns aos outros para irem dormir, as pessoas retornando às suas casas, um ciclo bem natural, eu diria.

Então, sendo observadora assídua dos fenômenos naturais e climáticos, conforme eu crescia e ia descobrindo meu lugar no mundo, me incomodava a incoerência de alguns discursos vigentes. Ainda que eu não fizesse ideia do porquê, nem tivesse vocabulário para expressar todas minhas dúvidas e descontentamento.

Para mim, não fazia sentido algum nosso Natal ser no verão, nossa Páscoa no outono, nosso Dia dos mortos (ou Halloween) na primavera. Algo parecia fora de contexto, fora de ordem.
De fato, estava. Ainda está.

Hoje, vejo alguns desses festivais/feriados como meras datas comerciais, herança de um país colônia que fomos. Comemorar os ciclos do hemisfério Norte a qual não pertencemos? Mais colônia que isso, eu não sei.

Então, dá para dizer que estamos vivendo em completa desarmonia com o ciclo natural das coisas. Estamos vivendo mal. Todos nós.
Dormimos em horários irregulares ou dormimos pouco. Insônia, depressão e ansiedade são as doenças da sociedade moderna. Coincidência? Provavelmente não.

Comemos alimentos industrializados ou cheios de veneno que destroem o meio ambiente que dele depende para existir (plantar e colher). Comemos verduras fora de época! Fora do ciclo natural ao qual os alimentos pertencem. Pior é saber que mesmo com toda essa exploração ainda é espalhado um discurso de que não há alimento suficiente para todos, por isso o plantio de soja e milho (alimentos industrializados que são feitos a partir deles); que a terra é escassa... quando há tanto desperdício de alimento. Fora os materiais tóxicos que colocamos no nosso corpo em nome da estética.

Gente, eu tô é passada.

Ainda tentando me recuperar e entender como corrigir todos esses erros herdados dos nossos pais, que herdaram dos pais deles, que herdaram dos pais deles... ciclo sem fim (imagine a música do rei leão aqui).

Resta a nós (e no futuro, aos nossos filhos) corrigir todo o mal e destruição que foi feito no planeta. Respeitando a natureza, fazendo parte de seu fluxo.

Falando em fluxo, agora trago uma reflexão interna de ordem feminina. Por que tantas mulheres renegam, lutam contra essa força da natureza que são seus corpos? Nossos ciclos menstruais por exemplo, acontecem a 28 dias, não a 30 e 31 como o calendário gregoriano. 28 dias, iguais aos ciclos lunares. Tem pesquisas e mais pesquisas sobre o assunto, palestras e livros de profissionais e especialistas no tema.

Hoje, entendo porque me doía/dói sempre que via/vejo uma mulher reclamando do próprio corpo (ou do da coleguinha). Seja esteticamente ou funcionalmente. Reclamando da menstruação como se fosse uma doença, o fanatismo antienvelhecimento ou corpo pós-parto como se a obrigação sumária da mulher fosse ser sempre cocotinha (aqui dá tema para outro post, é sabido que fomos ensinadas a isso) quando deveria ser visto como algo natural, um ciclo, uma fase, assim como as da Lua e as estações.

Termino este post pedindo que sejam mais gentis com vocês mesmas e com as outras, com o planeta. Precisamos nos livrar de uma vez por todas da praga que assola nossas mentes, de que não somos suficientes. A terra é fértil, nós também somos. Não só de corpo, mas de mente e espírito. É preciso acabar com crenças limitantes a respeito da nossa potencialidade e feminilidade. Para que assim sejamos mulheres mais fortes e donas de si. E, ainda que não acredite, você faz um favor enorme para o mundo quando você é feliz, quando você é quem você quer ser, o que você nasceu para ser.

Então seja.

Dou a palavra para a Mônica Guerra da Rocha, cuja palestra me emocionou um bocado e me inspirou a escrever este texto na tentativa de passar adiante essa preciosidade:


Comentários

  1. Que texto lindo! Nos faz pensar em tanta coisa... Estou me questionando a maneira que ando vivendo.

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